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Love Story Andre Rieu>
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Imagens e Templates LaLi * Meu Award *
Histórico:
Poética De manhã escureço A oeste a morte Outros que contem Nasço amanhã Vinícius de Moraes E por falar em saudade onde anda você Vinícius de Moraes Se eu morrer antes de você Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: Chico Xavier
Minhas visitas. Vinícius de Moraes Dorme a estrela no céu É preciso pisar leve Dorme em paz rosa pura . Ária para assovio Inelutavelmente tu As cássias escorrem O madrigal se escreve: (Sê... mínima e breve . Amor nos três pavimentos Eu não sei tocar, mas se você pedir Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado Se você quisesse!... até na morte eu ia . Allegro Sente como vibra Dos caules informes E os rios soturnos E as sombras se casam . A paixão da carne Envolto em toalhas . A ausente Amiga, infinitamente amiga A rosa de Hiroxima Pensem nas crianças . Ausência Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces . A música das almas "Le mal est dans le monde comme un esclave qui fait monter l’eau." Na manhã infinita as nuvens surgiram como a Ioucura numa alma . A máscara da noite Sim, essa tarde conhece todos os meus pensamentos Sim! essa tarde que eu não conheço é uma mulher que me chama Não sei, toda essa evocação perdida, toda essa música perdida Como saber se é tarde, se haverá manhã para o crepúsculo Lembro-me!... como se fosse a hora da memória Oh, a doce tarde! Sobre mares de gelo ardentes de revérbero Eu sinto que essa tarde está me vendo, que essa serenidade está me vendo És bem tu, máscara da noite, com tua carne rósea Ah, meu verso tem palpitações dulcíssimas! – primaveras! Por que vens, noite? por que não adormeces o teu crepe Oh tarde, máscara da noite, tu és a presciência . A vida vivida Quem sou eu senão um grande sonho obscuro em face do Sonho De que venho senão da eterna caminhada de uma sombra Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino O que é a mulher em mim senão o Túmulo O que é o meu amor, ai de mim! senão a luz impossível O que é o meu Amor? senão o meu desejo iluminado A quem respondo senão a ecos, a soluços, a lamentos Qual é o meu ideal senão fazer do céu poderoso a Língua O que é o meu ideal senão o Supremo Impossível O que sou eu senão ele, o Deus em sofrimento . A partida Quero ir-me embora pra estrela . Cântico Não, tu não és um sonho, és a existência . Elegia desesperada Alguém que me falasse do mistério do Amor . O poeta e a lua Em meio a um cristal de ecos . Quietação No espaço claro e longo Eu penso em ti. . Quatro sonetos de meditação I Mas o instante passou. A carne nova Outra carne vírá. A primavera Importará jamais por quê? Adiante Sem saudade. Não ter contentamento. Uma mulher me ama. Se eu me fosse Na sua tarde em flor. Uma mulher Uma mulher me ama. Quando o escuro E eu, moço, busco em vão meus olhos velhos III E uma fonte futura, hoje primária O efêmero. E mais tarde, quando antigas Quem conhecer o vale e o seu segredo Apavorado acordo, em treva. O luar Desço na noite, envolto em sono; e os braços Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe Enorme. E como o mar dentro da treva . Soneto da rosa Mais um ano na estrada percorrida E da fragrante tepidez sonora Rosa geral de sonho e plenitude Para que o sonho viva da certeza . Soneto do maior amor Maior amor nem mais estranho existe E que só fica em paz se lhe resiste Louco amor meu, que quando toca, fere Fiel à sua lei de cada instante . Soneto de despedida Uma lua no céu apareceu Larguei-as pela jovem madrugada Mas não partira delas; a mais louca Mas que tinha deixado em meu enleio . Soneto de véspera Quando chegares e eu te vir chorando Que beijo teu de lágrimas terei Como ocultar a sombra em mim suspensa Imagem tua que eu compus serena . Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto De repente da calma fez-se o vento De repente, não mais que de repente Fez-se do amigo próximo o distante . Soneto à lua Por que tens, por que tens olhos escuros Que paixão fez-te os lábios tão maduros Fugaz, com que direito tens-me presa E és tampouco a mulher que anda na rua . Soneto de agosto Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados Espantei-me, confesso-te, dos brados Só assim arrancara a linha inútil Quisera que te vissem como eu via . Soneto de contrição Eu te amo, Maria, eu te amo tanto Como a criança que vagueia o canto Não é maior o coração que a alma E é uma calma tão feita de humildade . Soneto de fidelidade De tudo, ao meu amor serei atento Quero vivê-lo em cada vão momento E assim quando mais tarde me procure Eu possa lhe dizer do amor (que tive): . Soneto de devoção Essa mulher que se arremessa, fria Essa mulher, flor de melancolia Essa mulher que a cada amor proclama Essa mulher é um mundo! – uma cadela . Soneto ao inverno Inverno, doce inverno das manhãs Quem és, que transfiguras as maçãs Por que ruflaste as tremulantes asas Anjo tutelar das luminárias . Soneto de carnaval Distante o meu amor, se me afigura Seu mais doce desejo se amargura E vivemos partindo, ela de mim De toda a vida e todo o amor humanos: . Ternura Eu te peço perdão por te amar de repente . Vazio A noite é como um olhar longo e claro de mulher. ... Morte fatal Tudo se transforma em pó, o pó da vida No escuro das órbitas – um vazio inerte. Catástrofes mundiais em fases finais. Morte, vida, abandonos e fomes Drogas em evidências globais e tais. Violências mortais sem preconceitos. Conceito racial inócuo – o nada e a existência. Vácuo, partículas intensas sem cores. Amores sem reconhecimentos lógicos. Elementos inadequados às orgias irracionais. Invasão cósmica do espaço sideral - o mal. Tempo determinado pela situação global Rostos sem sorrisos, máscaras lentas e isentas. Há falsidades em viver na luz, há verdades em vão. Verdades fúteis. Beleza tola. Loucura senil. Invalidade de gestos repetitivos e vazios. E a gente vive nesse eterno vigor . Achando que tudo que existe é amor Ao menos se espera que vida nos mostre Que uma parte de tudo também é só dor. Soraia O inverso da vida Nadei na contra mão do rio negro. Inverti a ordem natural das coisas. Explorei o inverso do meu segredo. Percebi um vendaval de emoções. Subi morros íngremes em busca de algo. Caminhei entre ruas quase desertas e cheias. Encontrei algumas portas fechadas, outras abertas. Mas não entrei, apenas observei o movimento. Tentei em vão chorar lágrimas secas! Tentei. Meus olhos sorriram pelo avesso da alma. Fiz uma contagem regressiva com as cores. Meu recomeço teve um começo sem endereço. Recriei pensamentos através do vento. E do nada refiz minha imagem! Gostei do que vi. Blefei o tempo e o espelho me deu razão. Confesso que pra isso escutei uma música. Olhei profundamente para o meu rosto. O batom vermelho da boca louca Deu um contraste sereno aos meus olhos. Rabisquei então um arabesco como adereço. Retirei o abscesso do sol e furtei a cor curta. Dei vida a um holograma baseado em fatos. Minha energia silenciosa calou-se diante da luz. De trás pra frente dei dimensão aos meus passos. Soraia No Exaurir de um Domingo Da janela vejo o mundo tal qual meus olhos. De fato, tal qual são os meus dias atuais. Nada mal... Minhas poesias são artesanais. Meus olhos são um tanto paranormais. Da janela... Então debruço na janela, naquela janela. Vejo a moça passar toda apressada e nada. Nada vejo no seu olhar, nada vejo nela. Mas ela caminha, da minha janela parada. Sinto os dias passarem pelo vidro transparente. As pessoas que vem trazem algo de sua alma. Dentro de mim eu os vejo solitários e descrentes E o dia continua assim. E o tempo me acalma. Ouço passos na rua e penso no meu agora. Existe um elo entro o meu mundo paralelo O vão da parede esconde a vida lá fora. Observo então as luzes da casa amarela. Casas com janelas escancaradas e belas. Paredes que escondem o passado de alguém. Olhares desviados para um ponto sério. Rostos afogados em lágrimas a espera. Janelas, janelas, sempre à minha frente. Fito a linha fina entre o céu e a terra. Do meu quadrado transparente observo. A vida indo e vindo atrás daquela serra. Soraia A Lia que lia sorria para o vento. Chorou ao ver que partia. Ela ia. Seus olhos brilhavam. Ela esperava. Esperava do nada realizar seus desejos. Era a Lia que corria contra o tempo. Que partia e sabia que não voltava. Mas ela ouvia. Ouvia a cotovia cantar. Sonhava com o sabiá e sua cantoria. Essa Lia que tento fazer uma poesia. Faz parte do meu universo unilateral Ela dizia que vivia.....Ela sofria e ria. Mas ela queria mesmo é sanar teu mal. Lia criança, Lia mulher. Lia lembrança. Não é uma Lia qualquer. Ela não é Maria. É Lia da música. Lia que tem esperança Que sabe o que quer! É a Lia alegria. Mas essa menina encanta-me com seu jeito. Como um anjo vai embora. ...Ela dizia. Amiga de todas as horas certas e incertas. É a Lia que conheço agora. É a Lia que ia. Soraia Mas lembranças deixou...Mas ela voltará um dia.. Pés... São pés que caminham, caminham por ai. Sem precisar esconder do sol e nem da chuva. Pés soltos, revoltos por tropeços sorridentes. Entre olhares passo, mas refaço meu paladar. Nesse dia vou seguindo minha razão Sem esconder minha emoção – sou livre. Posso caminhar sem direção, sem opção. Apenas em linhas retas e curvas. Eu me levo e vou a qualquer lugar. E fito sua janela perpendicular a minha. Mesmo assim considero sua imperfeição. Ando na corda bamba só para contrariar. Observo o mundo de cabeça para baixo. Caminho nas nuvens e vejo a terra parada. Dizem que ela dá voltas redondas e precisas. Mas a vejo se esconder pelos vendavais. No entanto os pés são como destinos incertos. Reavivo meus ais. Ais certos e incorretos. Hoje - fitei o luar de dia e vi o sol brilhar a noite. Fiz versos à tarde e adormeci com a manhã. Caminhei, caminhei a esmo, caminhei mesmo. Amei, chorei, mas parei diante da beleza do mar. Olhei o espelho que há dentro dos meus olhos. Percebi o quanto sou feliz, percebi e sorri. E continuei a caminhar assim.... Soraia Sons da vida Ouço sons imaginários vindo de um canto qualquer. Fito um rosto indefinido, vejo-o por uns instantes. Escrevo pelo avesso e dedilho meu destino incerto. Eu proponho um pacto de melodia, um eco vazio. Contorno o som do vento! Vento do pensamento. Em momento algum modifico as notas musicais. Nego qualquer envolvimento com sons metálicos. A curva dessa canção é redondamente serena. Mas! Eu me recuso desafinar as guitarras azuis. Toco meu violão para acompanhar o tempo. Tempo exato para uma freqüência determinada. Intervalos indefinidos em uma única vibração. Disponho as pautas uma a uma simetricamente. Faço notas pontuadas em curta duração. Simplifico as contrações vogais em dó natural. Componho musicas suavizada em formas líricas. Uso a sinfonia com cosmo do meu universo. A harmonia está em meu corpo! Uso a dança. Faço a coreografia inimitável do momento. Fico atenta a detalhes, detalhes quase iguais. Então finalizo essa melodia com um arranjo único. Começo com fá sustenido e termino em dó natural. Saio cantando as letras sem rimas precisas e lisas. Dou meu veredito final! Sou o meu próprio som. Soraia Fica comigo nesse dia, somente fica. Demore só mais um pouco aqui comigo. Ouça a música que toco para você. Para você. Contente-se apenas em me amar agora. Diz-me algo para despertar meus desejos. Mesmo que esses desejos sejam invisíveis. Não me venha dizer tolices! Nem cause a dor. Dê-me noticias, mas não me dê às ruins. Saia da minha vida, mas só fique essa noite. Tira-me do açoite, traga-me aquela luz azul Deliciosamente pegue-me em teu colo E baixinho diga-me palavras de carinho. Se a saudades apertar um dia, lembre-se de mim. Estarei aqui, estarei ai e em qualquer lugar Mas nunca me deixe sem sentir esse amor. Venha à noite e de dia, mas venha me amar. Soraia Nadei na contra mão do rio negro. Inverti a ordem natural das coisas. Explorei o inverso do meu segredo. Percebi um vendaval de emoções. Subi morros íngremes em busca de algo. Caminhei entre ruas quase desertas e cheias. Encontrei algumas portas fechadas, outras abertas. Mas não entrei, apenas observei o movimento. Tentei em vão chorar lágrimas secas! Tentei. Meus olhos sorriram pelo avesso da alma. Fiz uma contagem regressiva com as cores. Meu recomeço teve um começo sem endereço. Recriei pensamentos através do vento. E do nada refiz minha imagem! Gostei do que vi. Blefei o tempo e o espelho me deu razão. Confesso que pra isso escutei uma música. Olhei profundamente para o meu rosto. O batom vermelho da boca louca Deu um contraste sereno aos meus olhos. Rabisquei então um arabesco como adereço. Retirei o abscesso do sol e furtei a cor curta. Dei vida a um holograma baseado em fatos. Minha energia silenciosa calou-se diante da luz. De trás pra frente dei dimensão aos meus passos. Soraia . . . Versos e Sentimentos Sob um prisma observo seu carisma sentimental Suas músicas transpiram emoção e sensibilidade. É verdade que tem uma noção de ética e moral; Moço gentil e delicado ao descrever seus ideais. Em uma velha foto amarelada guarda seu passado. Conserva sua timidez em palavras sensatas e diretas. Sutil e irreverente é o que me faz pensar ser assim. Assim é sua personalidade vulnerável e amável. Retrata a jovialidade de grandes personagens. Eu o vejo através da canção regida por ele. Dono de um gosto impecável e inusitado. Nas entrelinhas ditas regras claras e óbvias. Acrescento-lhe simpatia e tem o meu apreço. Não sei seu endereço, mas escrevo esses versos. Versos que tento sintetizar em pensamentos. Resumi-lo seria impossível! É uma grande pessoa. Finalizo esse poema com riscos pausados. Escrevo apenas o que percebo em você. Certo ou errado dedico-lhe músicas sinuosas. E o saúdo com umas discretas linhas azuis. Soraia Transparências Cores quase invisíveis aos nossos olhos Preto e branco, realce de um vazio. O avesso das emoções - amor e ódio. Tudo e nada. Absolutamente insípido. Vento frio, ar quente – contradições contrárias. Mar revolto, calmaria das águas. As lágrimas. Negativo e positivo – reverso do verso inverso. Quebra cabeça de palavras! Quase um desafio. Provo a música que você toca indevidamente. Escuto suas palavras absortas! Meio aérea. Centralizo meu branco no seu preto ondulante. O vento! Ah! O vento que me leva até você. Pelo negativo dos seus gestos enxergo a luz. Pra mim sempre haverá uma primavera azul. Caís do porto – chegada destinada ao destino. Eu não resumo o nada, porque tudo se perde. Perde-se nas noites claras em que fico acordada. Acho-te nos passos que sempre refaço a sós. Mas no meio das suas tempestades faço-te poesias. Palavras mudas que lanço para te encontrar. Soraia As cores do meu dia Nevoeiros rosa grená, visões noturnas transparentes. Cores diversas, músicas aleatórias sem definições. Tom sobre tom invadem minha capacidade de pensar. Hei de pensar em algo peculiar para o meu dia a dia. Dias conturbados sem opções! Vejo cores nas ruas. Labirintos extensos provocam-me! Beco sem saída. Visita-me ó agonia, deixai-me a mercê do ocaso. Que venha o inusitado, que venha sem passado. Coração azul independente navega solto por aí Viajando e indagando horizontes perdidos e cedidos. Freqüência amarela em forma de círculos espirais. Tudo muda de cor naturalmente como as ondas do mar. Acordo no meio da noite respirando sua presença vazia. Ausência inexplicável de sons! Imagino-te ó dor voraz. Riscos coloridos se juntam e formam imagens inexistentes. Torno suspender as horas, pauso no tempo preciso do dia. Estou entre o vão da realidade e o meu universo estático. La fora a vida pulsa, pulsa como meu pulso pulsa – Lilás. Eu faço a pauta da vida e solto o som da melodia presa. Fixação óbvia por uma personagem metódica e inconstante. Uso tons avermelhados para soltar as palavras do meu interior. Pronuncio discretamente meus desejos através dos meus lábios. Mando-te músicas como recados simulados à minha vontade. Espero sua decisão sem sair desse mundo irreal! Espero-te. Soraia http://www.nossosite.biz/Nacio-Z/Zizi-Possi/Dedicado_a_Voce.mid Vem, se eu tiver você no meu prazer
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De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Passo por passo:
Eu morro ontem
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.
Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.
Se não quiser chorar, não chore;
Se não conseguir chorar, não se preocupe;
Se tiver vontade de rir, ria;
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão;
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me;
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam;
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo...
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
-"Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!"
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu.
"Ser seu amigo, já é um pedaço dele..."


Acalanto da rosa
Dorme a rosa em seu jardim
Dorme a lua no mar
Dorme o amor dentro de mim
Ai, é preciso não falar
Meu amor se adormece
Que suave o seu perfume
O teu sono não tem fim
Rosa sobre o passeio
Branca! e a melancolia
Na tarde do seio
Seu ouro a teus pés
Conheço o soneto
Porém tu quem és?
Se é do teu costume
Deixa que eu te leve
A música do perfume
Não guarda ciúme)
Eu toco violino fagote trombone saxofone.
Eu não sei cantar, mas se você pedir
Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
Pra cantar melhor.
Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
Eu faço tudo que você quiser.
Que eu te arranjo logo.
Você quer fazer verso? É tão simples!... você assina
Ninguém vai saber.
Se você me pedir, eu trabalho dobrado
Só pra te agradar.
Descobrir poesia.
Te recitava as Pombas, tirava modinhas
Pra te adormecer.
Até um gurizinho, se você deixar
Eu dou pra você...
Doidamente em nós
Um vento feroz
Estorcendo a fibra
E as plantas carnívoras
De bocas enormes
Lutam contra as víboras
Ouve como vazam
A água corrompida
Nos raios noturnos
Da lua perdida.
Frias, pego ao colo
O corpo escaldante.
Tem apenas dois anos
E embora não fale
Sorri com doçura.
É Pedro, meu filho
Sêmen feito carne
Minha criatura
Minha poesia.
É Pedro, meu filho
Sobre cujo sono
Como sobre o abismo
Em noites de insônia
Um pai se debruça.
Olho no termômetro:
Quarenta e oito décimos
E através do pano
A febre do corpo
Bafeja-me o rosto
Penetra-me os ossos
Desce-me às entranhas
Úmida e voraz
Angina pultácea
Estreptocócica?
Quem sabe... quem sabe...
Aperto meu filho
Com força entre os braços
Enquanto crisálidas
Em mim se desfazem
Óvulos se rompem
Crostas se bipartem
E de cada poro
Da minha epiderme
Lutam lepidópteros
Por se libertar.
Ah, que eu já sentisse
Os êxtases máximos
Da carne nos rasgos
Da paixão espúria!
Ah, que eu já bradasse
Nas horas de exalta-
Ção os mais lancinantes
Gritos de loucura!
Ah, que eu já queimasse
Da febre mais quente
Que jamais queimasse
A humana criatura!
Mas nunca como antes
Nunca! nunca! nunca!
Nem paixão tão alta
Nem febre tão pura.
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
.
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo
(da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Claudel
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam
(a terra...
Depois veio a claridade, o grande céu, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.
Todos os meus segredos e todos os meus patéticos anseios
Sob esse céu como uma visão azul de incenso
As estrelas são perfumes passados que me chegam...
E eis que é uma cidade apenas, uma cidade dourada de astros
Aves, folhas silenciosas, sons perdidos em cores
Nuvens como velas abertas para o tempo...
É como um pressentimento de inocência, como um apelo...
Mas para que buscar se a forma ficou no gesto esvanecida
E se a poesia ficou dormindo nos braços de outrora...
Nesse entorpecimento, neste filtro mágico de lágrimas?
Orvalho, orvalho! desce sobre os meus olhos, sobre o meu sexo
Faz-se surgir diamante dentro do sol!
Outras tardes, outras janelas, outras criaturas na alma
O olhar abandonado de um lago e o frêmito de um vento
Seios crescendo para o poente como salmos...
Vagam placidamente navios fantásticos de prata
E em grandes castelos cor de ouro, anjos azuis serenos
Tangem sinos de cristal que vibram na imensa transparência!
Que o momento da criação está me vendo neste instante doloroso de sossego
(em mim mesmo
Oh criação que estás me vendo, surge e beija-me os olhos
Afaga-me os cabelos, canta uma canção para eu dormir!
Com teus longos xales campestres e com teus cânticos
És bem tu! ouço teus faunos pontilhando as águas de sons de flautas
Em longas escalas cromáticas fragrantes...
Sonhos bucólicos nunca sonhados pelo desespero
Visões de rios plácidos e matas adormecidas
Sobre o panorama crucificado e monstruoso dos telhados!
Por que não te esvais – espectro – nesse perfume tenro de rosas?
Deixa que a tarde envolva eternamente a face dos deuses
Noite, dolorosa noite, misteriosa noite!
Só tu conheces e acolhes todos os meus pensamentos
O teu céu, a tua luz, a tua calma
São a palavra da morte e do sonho em mim!
Senão uma grande angústia obscura em face da Angústia
Quem sou eu senão a imponderável árvore dentro da noite imóvel
E cujas presas remontam ao mais triste fundo da terra?
Que se destrói à presença das fortes claridades
Mas em cujo rastro indelével repousa a face do mistério
E cuja forma é prodigiosa treva informe?
Rio que sou em busca do mar que me apavora
Alma que sou clamando o desfalecimento
Carne que sou no âmago inútil da prece?
O branco marco da minha rota peregrina
Aquela em cujos braços vou caminhando para a morte
Mas em cujos braços somente tenho vida?
Senão a estrela parada num oceano de melancolia
O que me diz ele senão que é vã toda a palavra
Que não repousa no seio trágico do abismo?
O meu infinito desejo de ser o que sou acima de mim mesmo
O meu eterno partir da minha vontade enorme de ficar
Peregrino, peregrino de um instante, peregrino de todos os instantes?
De vozes que morrem no fundo do meu prazer ou do meu tédio
A quem falo senão a multidões de símbolos errantes
Cuja tragédia efêmera nenhum espírito imagina?
Da nuvem a Palavra imortal cheia de segredo
E do fundo do inferno delirantemente proclamá-los
Em Poesia que se derrame como sol ou como chuva?
Aquele que é, só ele, o meu cuidado e o meu anelo
O que é ele em mim senão o meu desejo de encontrá-lo
E o encontrando, o meu medo de não o reconhecer?
O temor imperceptível na voz portentosa do vento
O bater invisível de um coração no descampado...
O que sou eu senão Eu Mesmo em face de mim?
Que vi luzindo no céu
Na várzea do setestrelo.
Sairei de casa à tarde
Na hora crepuscular
Em minha rua deserta
Nem uma janela aberta
Ninguém para me espiar
De vivo verei apenas
Duas mulheres serenas
Me acenando devagar.
Será meu corpo sozinho
Que há de me acompanhar
Que a alma estará vagando
Entre os amigos, num bar.
Ninguém ficará chorando
Que mãe já não terei mais
E a mulher que outrora tinha
Mais que ser minha mulher
É mãe de uma filha minha.
Irei embora sozinho
Sem angústia nem pesar
Antes contente da vida
Que não pedi, tão sofrida
Mas não perdi por ganhar.
Verei a cidade morta
Ir ficando para trás
E em frente se abrirem campos
Em flores e pirilampos
Como a miragem de tantos
Que tremeluzem no alto.
Num ponto qualquer da treva
Um vento me envolverá
Sentirei a voz molhada
Da noite que vem do mar
Chegar-me-ão falas tristes
Como a querer me entristar
Mas não serei mais lembrança
Nada me surpreenderá:
Passarei lúcido e frio
Compreensivo e singular
Como um cadáver num rio
E quando, de algum lugar
Chegar-me o apelo vazio
De uma mulher a chorar
Só então me voltarei
Mas nem adeus lhe darei
No oco raio estelar
Libertado subirei.
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde – são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura
Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.
Na sombra – alguém! alguém que me mentisse
Em sorrisos, enquanto morriam os rios, enquanto morriam
As aves do céu! e mais que nunca
No fundo da carne o sonho rompeu um claustro frio
Onde as lúcidas irmãs na branca loucura das auroras
Rezam e choram e velam o cadáver gelado ao sol!
Alguém que me beijasse e me fizesse estacar
No meu caminho – alguém! – as torres ermas
Mais altas que a lua, onde dormem as virgens
Nuas, as nádegas crispadas no desejo
Impossível dos homens – ah! deitariam a sua maldição!
Ninguém... nem tu, andorinha, que para seres minha
Foste mulher alta, escura e de mãos longas...
Revesti-me de paz? – não mais se me fecharão as chagas
Ao beijo ardente dos ideais – perdi-me
De paz! sou rei, sou árvore
No plácido país do Outono; sou irmão da névoa
Ondulante, sou ilha no gelo, apaziguada!
E no entanto, se eu tivesse ouvido em meu silêncio uma voz
De dor, uma simples voz de dor... mas! fecharam-me
As portas, sentaram-se todos à mesa e beberam o vinho
Das alegrias e penas da vida (e eu só tive a lua
Lívida, a lésbica que me poluiu da sua eterna
Insensível polução...). Gritarei a Deus? – ai dos homens!
Aos homens? – ai de mim! Cantarei
Os fatais hinos da redenção? Morra Deus
Envolto em música! – e que se abracem
As montanhas do mundo para apagar o rasto do poeta!
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esferas nitentes
Tremeluzem pêlos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de volúpia.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perspassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
O silêncio é como uma penetração de olhares calmos...
Eu sinto tudo pousado dentro da noite
E chega até mim um lamento contínuo de árvores curvas.
Como desesperados de melancolia
Uivam na estrada cães cheios de lua.
O silêncio pesado que desce
Curva todas as coisas religiosamente
E o murmúrio que sobe é como uma oração da noite...
Minha boca cicia longamente o teu nome
E eu busco sentir no ar o aroma morno da tua carne.
Vejo-te ainda na visão que te precisou no espaço
Ouvindo de olhos dolentes as palavras de amor que eu te dizia
Fora do tempo, fora da vida, na cessação suprema do instante
Ouvindo, junta de mim, a angústia apaixonada da minha voz
Num desfalecimento.
Pelo espaço claro e longo
Vibra a luz branca das estrelas.
Nem uma aragem, tudo parado, tudo silêncio
Tudo imensamente repousado.
E eu cheio de tristeza, sozinho, parado
Pensando em ti.
Sente a primeira fibra enrijecer
E o seu sonho infinito de morrer
Passa a caber no berço de uma cova.
É carne, o amor é seiva eterna e forte
Quando o ser que viver unir-se à morte
No mundo uma criança nascerá.
O poema é translúcido, e distante
A palavra que vem do pensamento
Ser simples como o grão de poesia.
E íntimo como a melancolia.
II
Talvez ela sentisse o desalento
Da árvore jovem que não ouve o vento
Inconstante e fiel, tardio e doce.
Me ama como a chama ama o silêncio
E o seu amor vitorioso vence
O desejo da morte que me quer.
Do crepúsculo mórbido e maduro
Me leva a face ao gênio dos espelhos
Vindos de ver a morte em mim divina:
Uma mulher me ama e me ilumina.
O efêmero. Ora, um pássaro no vale
Cantou por um momento, outrora, mas
O vale escuta ainda envolto em paz
Para que a voz do pássaro não cale.
No seio da montanha, irromperá
Fatal, da pedra ardente, e levará
À voz a melodia necessária.
Se fizerem as flores, e as cantigas
A uma nova emoção morrerem, cedo
Nem sequer pensará na fonte, a sós...
Porém o vale há de escutar a voz.
IV
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.
Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me espedaço em vão contra o infinito.
Vem, como o astro matinal, que a adora
Molhar de puras lágrimas de aurora
A morna rosa escura e apetecida.
No recesso, como ávida ferida
Guardar o plasma múltiplo da vida
Que a faz materna e plácida, e agora
Transforma em novas rosas de beleza
Em novas rosas de carnal virtude
Para que o tempo da paixão não mude
Para que se una o verbo à natureza.
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer – e vive a esmo
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Cheia e branca; foi quando, emocionada
A mulher a meu lado estremeceu
E se entregou sem que eu dissesse nada.
Ambas cheias e brancas e sem véu
Perdida uma, a outra abandonada
Uma nua na terra, outra no céu.
Apaixonou-me o pensamento; dei-o
Feliz – eu de amor pouco e vida pouca
Um sorriso de carne em sua boca
Uma gota de leite no seu seio.
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou – fria de vida
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, quem és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
E lúbrica aos meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Talvez... – mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar – inverno sobre casas!
Preservador de santas e de estrelas...
Que importa a noite lúgubre escondê-las?
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Sinto-me só.
Em todas as coisas que me rodeiam
Há um desconhecimento completo da minha infelicidade.
A noite alta me espia pela janela
E eu, desamparado de tudo, desamparado de mim próprio
Olho as coisas em torno
Com um desconhecimento completo das coisas que me rodeiam.
Vago em mim mesmo, sozinho, perdido
Tudo é deserto, minha alma é vazia
E tem o silêncio grave dos templos abandonados.
Eu espio a noite pela janela
Ela tem a quietação maravilhosa do êxtase.
Mas os gatos embaixo me acordam gritando luxúrias
E eu penso que amanhã...
Mas a gata vê na rua um gato preto e grande
E foge do gato cinzento.
Eu espio a noite maravilhosa
Estranha como um olhar de carne.
Vejo na grade o gato cinzento olhando os amores da gata e do gato preto
Perco-me por momentos em antigas aventuras
E volto à alma vazia e silenciosa que não acorda mais
Nem à noite clara e longa como um olhar de mulher
Nem aos gritos luxuriosos dos gatos se amando na rua.
- Postado por: Soraia às 14h38
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- Postado por: Soraia às 19h18
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- Postado por: Soraia às 18h20
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- Postado por: Soraia às 16h29
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- Postado por: Soraia às 13h36
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Chovem lágrimas do domingo cansado,
Apagam-se as luzes.
O escuro toma conta como protesto
Silencia-se o mundo mecânico. Vozes familiares.
Pensar numa forma de apaziguar as ansiedades.
Ecos da memória, cérebro inquieto, galope cardíaco.
A noite chega sorrateiramente envolvendo o presente,
Fantasmas de si, lembranças vivas, sentidos atentos.
Ruídos musicais expandem em cores noturnas.
Notas de silêncios, sílabas de velhas falas.
Perguntas e respostas sem sentido assolam.
Para cada certeza, muitas dúvidas, verdades fingidas.
Ilusões da noite, do tempo, do domingo moribundo.
Pessoas distantes interagem versos melódicos, epitáfio do dia.
Fragmentos de presente serão futuro passado, hoje será ontem.
Versos soltos, profecias da divagação do sagrado ócio.
Soraia & Gilberto Brandão Marcon
05/12/2010
- Postado por: Soraia às 14h32
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- Postado por: Soraia às 13h36
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Uma homenagem a uma amiga que teve que partir..
A Lia que partia...
- Postado por: Soraia às 13h40
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- Postado por: Soraia às 13h36
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- Postado por: Soraia às 10h50
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Fica comigo
- Postado por: Soraia às 12h59
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O inverso da vida![]()
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- Postado por: Soraia às 17h36
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- Postado por: soraia às 00h05
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- Postado por: soraia às 21h31
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Se eu pudesse ficar com você
Todo momento e em qualquer lugar
Ah, se o desejo fosse o amor
Durante o frio fosse o calor
Na minha lua, você fosse o mar
Vem, meu coração se enfeitou de céu
Se embebedou na luz do teu olhar
Queria tanto ter você aqui
Ah, se teu amor fosse igual ao meu
Minha paixão ía brilhar e eu
completamente ía ser feliz
Claudia Ghiotti
- Postado por: soraia às 20h52
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